OCDE prevê crescimento global de 2,9% em 2026 e destaca impactos da energia

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um relatório interino de perspectivas econômicas, onde avalia que o crescimento global perdeu ímpeto no início de 2026, mas se manteve resiliente em diversas nações, mesmo diante dos efeitos negativos do conflito no Oriente Médio.

Conforme o documento, divulgado nesta quarta-feira (23), a existência de estoques elevados de petróleo, a oferta adicional proveniente de países fora das economias do Golfo e as medidas de apoio implementadas por governos contribuíram para atenuar os impactos na economia mundial.

A atividade relacionada à inteligência artificial (IA) também desempenhou um papel fundamental, sustentando investimentos, produção e comércio. Contudo, a OCDE alerta que as projeções econômicas estão intimamente ligadas à busca por uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio.

Preços de energia e inflação em alta

A organização observa que os preços da energia registraram uma nova alta em função das interrupções na produção e exportação provenientes do Golfo. As margens de refino, elevadas devido a gargalos produtivos, estão pressionando tanto os preços ao consumidor quanto os custos das empresas. Além disso, alguns preços agrícolas também apresentaram aumentos significativos nos últimos meses, em parte em decorrência de eventos climáticos extremos que afetaram a oferta.

O relatório ainda menciona que mudanças nas políticas comerciais, como a imposição de tarifas e restrições à exportação, têm gerado incertezas e contribuído para rupturas na oferta. A OCDE estima que as novas tarifas bilaterais dos Estados Unidos, que entraram em vigor em julho, elevaram em cerca de 1 ponto porcentual a tarifa efetiva média americana.

A elevação das taxas de juros de longo prazo, que atingiram os maiores níveis em 15 anos ou mais em diversas economias, também é um fator de preocupação, especialmente devido a riscos fiscais de longo prazo e à intensa emissão de títulos por empresas ligadas à IA. Apesar disso, a OCDE ressalta que as condições financeiras em geral permanecem favoráveis, com bolsas em níveis elevados e uma melhora no crescimento do crédito.

Projeções de crescimento econômico

A OCDE projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) global crescerá 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027. Comparado às estimativas divulgadas em junho, a previsão para 2026 foi ajustada para cima em 0,1 ponto porcentual, enquanto a de 2027 foi reduzida em 0,1 ponto. Nos Estados Unidos, a previsão de crescimento é de 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027, com revisões de +0,2 e +0,3 ponto porcentual, respectivamente.

Para a zona do euro, a OCDE estima um crescimento de 1,0% em 2026 (+0,2 ponto) e 1,0% em 2027 (-0,2 ponto). Na China, a previsão se mantém em 4,5% para 2026, mas a de 2027 foi reduzida em 0,1 ponto, para 4,2%.

A inflação, segundo a OCDE, deve aumentar no curto prazo, refletindo o avanço dos preços das commodities, antes de se reduzir gradualmente em 2027, à medida que os custos da energia diminuem e a política monetária mais restritiva ajuda a controlar as pressões inflacionárias. A inflação total do G20 é projetada para cair de 4,1% em 2026 para 3,6% em 2027, enquanto a inflação subjacente nas economias avançadas deve desacelerar de 2,7% para 2,5%.

A OCDE enfatiza que a incerteza é significativa, especialmente no que diz respeito ao setor de energia. A normalização mais rápida dos mercados de petróleo e gás poderia aliviar as pressões inflacionárias e apoiar a atividade econômica, enquanto interrupções persistentes poderiam acarretar inflação mais alta e crescimento reduzido. Entre outros riscos, a OCDE menciona os impactos climáticos sobre a oferta, incluindo a possibilidade de um El Niño forte que afete a produção agrícola e pressione os preços dos alimentos.

Por fim, a organização recomenda que os bancos centrais mantenham as expectativas de inflação bem ancoradas e que ajustes adicionais possam ser necessários diante de pressões de preços ou deterioração significativa das perspectivas de crescimento. O relatório também defende uma supervisão cuidadosa para garantir a estabilidade financeira e a implementação de regulamentações para intermediários financeiros não bancários e criptoativos.

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