A Editora Elefante, responsável pela publicação e tradução das obras da renomada autora bell hooks no Brasil, gerou uma onda de críticas nas redes sociais ao divulgar um post afirmando que “a esquerda brasileira não tem projeto de mudança”.
A publicação, que apresentava também o catálogo da editora, suscitou descontentamento, especialmente em um contexto eleitoral conturbado, onde Flávio Bolsonaro (PL) saiu do primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Repercussão nas redes sociais
A crítica provocou uma série de reações negativas, com internautas e figuras públicas expressando sua indignação. A deputada federal eleita Anielle Franco (PT-RJ) foi uma das vozes que se manifestaram, afirmando que existem, sim, projetos de mudança dentro da esquerda. “Tem sim! Tem muitos inclusive! Não façam isso com esse país e com quem faz política democraticamente”, escreveu.
O influenciador digital Spartakus também se mostrou desapontado: “Meu Deus. Que desserviço”, comentou em resposta à postagem. A jornalista Jéssica Balbino levantou questionamentos sobre as repercussões da publicação, indagando sobre o que a editora pretende fazer com o engajamento obtido se Flávio Bolsonaro for eleito. “Olha… sinceramente”, finalizou.
Críticas à estratégia da editora
Roger Cipó, apresentador e comentarista, destacou a presença de bell hooks no catálogo da editora, enfatizando a contradição entre a obra da autora, que aborda temas como feminismo, raça e classe, e a mensagem publicada. “Se vocês publicarem o Cury eu até entenderia o post, mas vocês publicam bell hooks, sabe?”, disse, fazendo referência ao escritor Augusto Cury.
A artista e curadora Andreza Delgado também criticou a estratégia da Editora Elefante, considerando-a como uma tática de engajamento. “O que vocês estão fazendo é a pura tática do backlash. Só que quem propôs isso esqueceu que like e engajamento momentâneo não limpam reputação manchada depois. Além do unfollow, como pesquisadora de bell hooks, me incomoda demais ver a obra dela circulando numa página que decidiu rifar o próprio conteúdo em nome de engajamento”, declarou.
A controvérsia levantou questões sobre o papel das editoras e a responsabilidade em meio a um cenário político polarizado, refletindo a tensão existente nas redes sociais e entre os grupos políticos.


