A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma série de depoimentos relacionados ao caso que investiga supostas fraudes entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília), em um “combo” de oitivas.
De acordo com Elijonas Maia, analista de Segurança Pública da CNN, o intuito da PF é concluir o inquérito que apura a complexa rede de irregularidades entre as duas instituições financeiras.
No centro das investigações estão três figuras principais: Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Depoimento de Augusto Lima é considerado crucial
O depoimento de Augusto Lima, classificado pelos investigadores como essencial para elucidar o caso, teve início às 10 horas da manhã e foi suspenso para almoço ao meio-dia e meia, com previsão de retorno às 14 horas. Fontes da PF indicam que Lima está “falando bastante”, o que justifica a necessidade de um tempo maior para o interrogatório. Ele é apontado como ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.
Durante sua declaração, Lima discutiu as negociações entre o Banco Master e o BRB, além das cartas de crédito relacionadas à empresa Tirreno, que é considerada uma intermediária no esquema. Também foram mencionadas as chamadas “cartas podres”, cujo valor chega a R$ 12 bilhões, que, segundo a PF, estão ligadas a fraudes.
Vorcaro e Paulo Henrique Costa negam irregularidades
Na quinta-feira (15), Daniel Vorcaro prestou depoimento à PF por quatro horas, das 15 às 19 horas, na unidade da Papudinha, onde está detido. Foi a primeira vez que uma equipe da PF se deslocou até o 19º Batalhão da Polícia Militar para ouvi-lo. No mesmo dia, Paulo Henrique Costa também foi ouvido. Ambos negaram qualquer envolvimento em fraudes e afirmaram que suas ações não prejudicaram o BRB.
A PF investiga a possibilidade de que houve contrapartida financeira na transação entre o BRB e o Banco Master, o que poderia caracterizar um pagamento de propina entre Vorcaro e Costa. Esse valor seria estimado em R$ 150 milhões, distribuídos em imóveis de luxo em Brasília e coberturas em São Paulo, para facilitar a negociação. O Banco Master, contudo, foi liquidado posteriormente.
Origem da investigação remonta à Operação Compliance Zero
O caso teve início no ano passado e gerou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Augusto Lima e Daniel Vorcaro em 17 de novembro. Com o depoimento de Augusto Lima completando a sequência de oitivas, a PF deve agora avançar para a fase final do inquérito, com expectativa de que em breve sejam definidos os possíveis indiciamentos e os indivíduos que poderão ser acusados.


