Polícia Federal solicita prorrogação de inquérito sobre financiamento do filme Dark Horse

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A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a extensão do inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse” por um período adicional de 90 dias.

A requisição foi formalizada na quinta-feira, dia 15.

O inquérito, que foi instaurado no final de julho de 2023, tinha prazo de conclusão previsto para 10 de outubro. Durante esse período, a PF coletou informações junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine) e à produtora Go Up, responsável pela execução do filme que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Novos desdobramentos e depoimentos

A PF também destacou que novas evidências foram obtidas a partir do depoimento do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. A investigação está apurando se a empresa “Entre Investimentos e Participações”, de Freixo, teria sido utilizada para transferências do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”.

Freixo, que prestou esclarecimentos como testemunha colaboradora, revelou que a empresa realizou sete remessas ao fundo Havengate Development Fund LP, um fundo americano que gerenciava os recursos para o filme, totalizando US$ 12,3 milhões. Os repasses foram feitos a pedido de Fabiano Zettel e confirmados por Vorcaro.

O empresário afirmou que a operação foi apresentada a ele como relacionada a um fundo imobiliário dos Estados Unidos vinculado ao advogado Paulo Calixto, que é associado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo Freixo, não foi informado que os recursos seriam utilizados para a produção de um filme.

Freixo alegou ainda que tomou ciência da destinação do dinheiro para a obra audiovisual apenas pela imprensa e, em seguida, solicitou o resgate dos valores, não tendo recebido resposta. Ele negou ter tido contato com agentes políticos ou outros envolvidos na produção.

Irregularidades e investigações contínuas

Durante seu depoimento, o empresário apresentou documentos que, segundo uma análise preliminar da PF, confirmam o número e os valores das remessas, além das instituições e do destinatário final. Contudo, foram identificadas divergências em relação ao que foi declarado, o que requer uma investigação mais aprofundada.

As investigações sobre “Dark Horse” visam esclarecer se houve irregularidades no financiamento do filme e se todos os valores transferidos por Vorcaro foram efetivamente destinados à sua produção. Uma das suspeitas levantadas é que parte dos recursos poderia ter sido direcionada a Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. O ex-deputado, por sua vez, nega ter recebido qualquer repasse.

Os pagamentos realizados por Vorcaro para a produção do filme foram negociados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência da República.

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