A relação entre os Estados Unidos e a Ucrânia atravessa um período de tensão, marcado por divisões diplomáticas e impasses relacionados à guerra contra a Rússia.
O analista sênior de assuntos internacionais da CNN, Américo Martins, discute, em entrevista ao Live CNN, as causas do desgaste entre os dois países e as possíveis implicações para o conflito na Europa Oriental.
Uma reportagem do jornal The Washington Post revela que o governo de Donald Trump estaria bloqueando o envio de interceptadores de mísseis do sistema Patriot para a Ucrânia.
De acordo com a publicação, os Estados Unidos estariam impedindo países aliados, como Alemanha e Polônia, de repassar esses armamentos aos ucranianos, que são considerados essenciais para a defesa do país contra os ataques russos.
O sistema Patriot e a escassez de interceptadores
O sistema Patriot é uma tecnologia militar de ponta, fabricada nos Estados Unidos e exportada para diversos aliados. Martins explicou que os próprios americanos esgotaram grande parte de seus estoques de interceptadores durante operações no Oriente Médio, onde foram usados para derrubar mísseis iranianos e proteger tropas e nações aliadas.
Desde o início do conflito na Europa Oriental, os Estados Unidos têm fornecido o sistema à Ucrânia, permitindo que o país se proteja dos mísseis balísticos russos.
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Atualmente, há uma escassez global desse tipo de armamento, com muitos países que possuem estoques optando por mantê-los sob controle, temendo a necessidade futura em possíveis conflitos.
Essa situação agrava a crise na Ucrânia, que depende desses equipamentos para conter os ataques que, conforme Martins, “estão ceifando vidas, destruindo a infraestrutura do país, atingindo prédios e residências”.
Por que os EUA precisam autorizar a transferência?
Como fabricante do sistema, os Estados Unidos têm a autoridade de autorizar ou negar a transferência de interceptadores entre países. Essa exigência visa evitar que armamentos sofisticados caiam nas mãos de adversários ou inimigos dos EUA.
Assim, se a Polônia desejasse enviar seus interceptadores à Ucrânia, precisaria da aprovação americana para proceder. O Washington Post reporta que essa autorização estaria sendo negada.
Américo Martins observou que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante uma entrevista na Índia, confirmou a existência de atrasos na entrega dos interceptadores, mas negou que isso tenha motivação política, atribuindo os atrasos a uma eventual falta do produto também entre os militares americanos.
Zelensky denuncia corte de informações de inteligência
Além do bloqueio dos interceptadores, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a afirmar que os Estados Unidos estariam deixando de repassar informações de inteligência cruciais para a defesa da Ucrânia.
Segundo Américo Martins, fontes com quem ele conversou em Kiev nos últimos dias expressam um medo crescente de que Washington esteja prestes a selar um grande acordo com a Rússia — um acordo que, na prática, abandonaria a Ucrânia.
“Eles estão percebendo esses sinais em vários movimentos no tabuleiro”, disse o analista, descrevendo o clima de apreensão que permeia a capital ucraniana em meio às tensões entre Trump e Zelensky.


