A decisão da Justiça italiana de negar a extradição de Carla Zambelli ao Brasil surpreendeu até a defesa da ex-deputada e mudou o clima político em Brasília nesta sexta-feira (22).
A Corte de Cassação, última instância judicial da Itália, anulou a decisão que autorizava o envio de Zambelli ao Brasil no processo ligado à condenação pelo caso de invasão ao sistema do CNJ. A ex-parlamentar, que estava presa em Roma desde julho de 2025, teve a soltura determinada pela Justiça italiana.
O resultado foi recebido como uma vitória simbólica pelo bolsonarismo em uma semana marcada por desgaste. A direita vinha pressionada pela repercussão do caso Banco Master, pelos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e pela primeira pesquisa Datafolha após a crise, que mostrou Lula abrindo vantagem sobre o senador.
A soltura de Zambelli não encerra todos os problemas jurídicos da ex-deputada. Há outro pedido de extradição em análise, relacionado ao episódio em que ela perseguiu um homem armada em São Paulo, na véspera do segundo turno de 2022.
Na prática, a decisão italiana dá fôlego político momentâneo à direita, mas não apaga o desgaste aberto pelo caso Master nem resolve a situação judicial de Zambelli. O próximo movimento será a análise do segundo processo pelas autoridades italianas.

