quinta-feira, abril 23, 2026

A direita evangélica começa a sair do automático

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O apoio do bispo Samuel Ferreira a Ronaldo Caiado não é detalhe. É um aviso de que parte relevante da direita evangélica começou a testar uma alternativa ao eixo controlado pelo bolsonarismo.

Samuel Ferreira lidera a Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, uma das maiores estruturas pentecostais do país. Ao declarar apoio a Caiado, ele ajuda a empurrar a disputa da direita para um terreno que interessa a setores conservadores cansados do excesso de ruído: autoridade, previsibilidade e capacidade de governo. Esse movimento conversa também com pedaços do agro que já não querem depender apenas do sobrenome Bolsonaro.

Caiado tenta ocupar exatamente esse espaço. Depois de deixar o governo de Goiás para nacionalizar a candidatura, apareceu com 6,5% no cenário estimulado da pesquisa Meio/Ideia, atrás de Lula e Flávio, mas com rejeição menor que a dos dois. Para quem entrou agora no tabuleiro nacional, o dado vale mais como sinal político do que como força consolidada.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro ainda não perdeu o campo evangélico. A reaproximação com Silas Malafaia já está em curso e o entorno do senador trabalha para transformar isso em apoio público. Ou seja: não há migração em bloco, mas uma disputa aberta pela tutela da direita religiosa e conservadora.

O que começa a aparecer é uma direita dividida entre nomes mais ruidosos e candidaturas que vendem firmeza sem gritaria. O próximo teste é simples: quem conseguir transformar apoio simbólico em rede política organizada largará na frente.

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