Lula chega a 2026 carregando o peso de quem já esteve muito tempo no poder.
Esse protagonismo, que sempre foi sua maior força, agora começa a virar um limite: ele precisa convencer o país a olhar para o futuro, mesmo depois de dominar o centro da política brasileira por quase quarenta anos.
Aos 80 anos, Lula terminará o ano somando 12 anos na Presidência. Olhando para a nossa história, ele só perde em tempo de poder para Dom Pedro II e Getúlio Vargas.
Esse histórico explica muito da pressão que ele enfrenta hoje: uma parte do eleitorado até reconhece a experiência, mas começa a cobrar renovação, soluções mais claras para a economia e um discurso que saia da “bolha” tradicional do PT.
O desafio vai além da idade; é um desgaste natural do tempo.
O PT governou o país durante boa parte deste século, e a oposição está usando esse tempo todo para bater na tecla do cansaço.
Do outro lado, o governo tenta vender a ideia de que essa continuidade traz estabilidade, emprego e segurança social.
As pesquisas mostram que a disputa está bem real. A Quaest de maio mostrou um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto a AtlasIntel/Bloomberg viu o presidente abrir vantagem, muito por conta do desgaste do senador com o caso Vorcaro.
Já o Datafolha traz um cenário difícil: a avaliação negativa do governo segue em 39%, superando a positiva, que está em 30%.
Para Lula, a prova de fogo de 2026 será mostrar que ele ainda consegue atrair votos fora da sua base fiel.
Se a campanha se limitar a defender o que ele já fez no passado, a oposição vai transformar a idade dele em um ponto fraco.
Agora, se ele conseguir apresentar uma agenda prática focada em renda, trabalho e no custo de vida, aí sim o tempo de poder pode ser lido novamente como experiência, e não como desgaste.

