O agronegócio brasileiro entrou no meio de uma disputa que mistura comércio, eleição e pressão diplomática. Mesmo com exceções em produtos importantes, as novas propostas de tarifa dos Estados Unidos aumentam a incerteza para exportadores e investidores.
O governo Lula precisa explicar qual é a estratégia para reduzir o dano. A reação política contra Washington pode falar bem para a militância, mas não resolve contrato, porto, câmbio, comprador externo nem previsibilidade para quem vende ao mercado americano.
O grupo bolsonarista também deve resposta. Aliados de Jair Bolsonaro passaram meses tratando sanções e tarifas como instrumento de pressão contra autoridades brasileiras. Quando a cobrança sai do discurso e chega à economia real, ela não escolhe partido: bate em empresas, produtores, trabalhadores e cadeias inteiras.
Trump joga com interesse americano. Usa comércio, segurança, tecnologia, agro e política externa para arrancar vantagem. O Brasil, dividido entre palanque e revanche, corre o risco de negociar pior justamente quando precisaria falar com uma só voz.
O agro não precisa virar escudo eleitoral de Lula nem instrumento de pressão dos Bolsonaro. Precisa de previsibilidade, negociação séria e defesa objetiva dos interesses brasileiros antes que a conta chegue ao produtor.

