A aprovação no Senado do projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação expôs uma fissura real na direita brasileira.
O texto passou por unanimidade e define misoginia como conduta de ódio ou aversão às mulheres. Mesmo assim, parte do campo conservador reagiu mal e passou a tratar a proposta como avanço de uma agenda antimasculina.
O argumento dos críticos é que a redação pode abrir espaço para interpretações amplas, judicialização excessiva e punição de falas duras no debate público.
Já os defensores dizem que o alvo da lei não é opinião conservadora nem crítica ao feminismo, mas condutas de humilhação, discriminação e incitação contra mulheres, sobretudo nas redes.
O projeto avançou também por cálculo político. Votar contra uma proposta apresentada como proteção às mulheres cobra preço alto, inclusive para parlamentares de direita. Por isso, o apoio no Senado foi tão amplo, mesmo com resistência ideológica em setores mais radicalizados.
No fundo, a discussão toca num ponto maior. Há homens que veem mudanças sociais e perda de antigas referências como sinal de enfraquecimento masculino.
Mas isso não basta para provar uma política organizada contra os homens. O que existe, de forma mais concreta, é uma disputa por linguagem, poder simbólico e limites da ação penal.
Na Câmara, o texto deve enfrentar sua fase mais dura. A briga agora será menos sobre a palavra misoginia e mais sobre até onde o combate ao ódio contra mulheres pode avançar sem virar, para os críticos, um instrumento de expansão penal e cerco ideológico.
Alguns homens enxergam inclusive, uma alienação “ódio contra os homens” promovida no parlamento, algo tratado como exagero por parte dos grupos conservadores masculinos.

