A cada duas horas, uma mulher sobrevive a uma tentativa de feminicídio no Brasil.
O país registrou 4.189 vítimas de tentativas em 2025, alta de 5,9% em um ano. Outras 1.571 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, o maior número da série histórica. São mais de quatro mortes por dia.
Os dados do novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência costuma avançar antes do ataque fatal. Em 2025, foram contabilizadas 788.531 ameaças contra mulheres, 123.871 casos de perseguição e 60.830 registros de violência psicológica.
O ponto mais crítico está na proteção que existe no papel e falha na prática. O país registrou 132.025 violações de medidas protetivas, média de 362 por dia e aumento de 16,7%. O indicador cresceu em todos os estados.
Entre as 18 unidades da Federação que forneceram informações completas, 70 mulheres foram mortas mesmo com medida protetiva ativa. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, responsáveis por mais de 40% dos feminicídios, estão entre os estados que não informaram esse dado.
O Brasil endureceu penas, mas ainda não consegue interromper a escalada de ameaças, perseguições e agressões. O próximo passo exige fiscalização rápida das medidas protetivas, monitoramento dos agressores e integração dos dados estaduais.
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