quinta-feira, abril 23, 2026

Bruno Peixoto pode chegar forte a Brasília e sair menor do que entrou na disputa

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Da Redação

Bruno Peixoto virou um dos casos mais interessantes da política goiana porque sua força atual parece grande, mas o teste real talvez comece depois da eleição. A ida para a Câmara dos Deputados é tratada nos bastidores como altamente provável, mas a dúvida séria não é sobre vitória eleitoral. É sobre sobrevivência de poder.

Nos últimos dias, o presidente da Alego recuou da articulação com PRD-Solidariedade, permaneceu no União Brasil e assumiu o comando da sigla em Goiás, num movimento costurado com a direção nacional e com aval de nomes centrais da base governista. A troca de rota desmontou arranjos já em curso, tensionou aliados e obrigou partidos próximos a refazer chapas e planos de filiação na reta final. Isso mostra força de intervenção no curto prazo, mas também expõe um estilo de construção muito dependente da caneta e da centralização.

Hoje, Bruno opera com um ativo que poucos têm no Estado: o comando da Assembleia. Esse posto concentra visibilidade, agenda, distribuição de espaços e uma máquina política robusta. Sob sua gestão, a Alego ampliou estrutura, cargos de direção e número de comissionados, o que ajuda a explicar parte da capilaridade que ele construiu. O problema é que esse poder não viaja automaticamente para Brasília. Mandato de deputado federal dá projeção nacional, mas não entrega, por si só, o mesmo controle sobre prefeitos, bases e aliados que a presidência do Legislativo estadual oferece.

Se ele se eleger sem deixar uma engrenagem política própria funcionando no Estado, pode viver o paradoxo de muitos caciques regionais: vencer bem e perder densidade. Bruno ainda é valioso para a base de Daniel Vilela e para o União Brasil em Goiás, mas o tamanho do seu futuro dependerá menos da urna e mais da capacidade de converter poder de máquina em liderança durável. O dia seguinte à eleição pode ser menos uma posse em Brasília e mais uma auditoria brutal sobre o que, de fato, era capital político e o que era apenas estrutura emprestada.

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