Na mais recente análise do mercado de cacau, a StoneX Brasil revisou suas previsões para a temporada 2025/26, apontando um superávit de 494 mil toneladas.
Este é o maior aumento na recomposição da oferta desde a temporada 2020/21, conforme relatório elaborado pelos analistas Lucca Bezzon e Leonardo Rossetti.
A revisão, que abrange o ciclo de outubro a setembro, foi impulsionada principalmente pelo crescimento nas estimativas de produção nos principais países produtores de cacau. Na Costa do Marfim, por exemplo, a projeção de produção foi ajustada para 2,05 milhões de toneladas.
O Equador se destacou ao finalizar o período com exportações recordes, enquanto o Brasil registrou uma das melhores safras de sua história. Em Gana, informações do Cocobod, órgão responsável pela regulação do setor cacaueiro no país, indicam uma produção próxima de 700 mil toneladas.
Impactos climáticos e demanda de mercado
Por outro lado, Camarões apresentou um desempenho distinto em relação às outras origens analisadas. Segundo o relatório, o país foi impactado por temperaturas elevadas e pelo fenômeno climático Harmattan, que traz ventos secos para partes da África Ocidental.
No que diz respeito à demanda, a StoneX elevou sua estimativa em 30 mil toneladas, totalizando 4,69 milhões de toneladas. Este ajuste foi motivado por resultados de moagem de cacau que superaram as expectativas no terceiro trimestre. No entanto, a consultoria observa que parte desse crescimento se deve à recomposição de estoques e ao processamento nos países produtores, sem garantir um aumento correspondente no consumo de chocolate.
Expectativas para a temporada 2026/27
Para a próxima temporada, 2026/27, também compreendida entre outubro e setembro, a StoneX prevê um déficit global de 64 mil toneladas, sugerindo uma interrupção no processo de recomposição de estoques que foi observado anteriormente.
A revisão considera os efeitos de um evento de El Niño de forte intensidade, que afeta as principais regiões produtoras de maneiras distintas. Na Costa do Marfim, as chuvas estão abaixo da média e a colheita se apresenta lenta. Na Indonésia, a seca severa é um fator crítico, enquanto o Equador enfrenta um excesso de umidade.
Com esse cenário, a oferta global de cacau deverá diminuir em 9,6% em 2026/27. A estimativa foi reduzida em 90 mil toneladas em relação à projeção anterior de julho. Ao mesmo tempo, a demanda deve continuar sua recuperação gradual.
Embora o déficit previsto seja menor em relação aos níveis registrados entre 2021/22 e 2023/24, a análise da StoneX indica que o mercado começará o próximo ciclo com uma menor margem de segurança nos estoques, o que torna os preços mais suscetíveis a eventuais deteriorações nas condições climáticas, especialmente na África Ocidental.


