Egito e Arábia Saudita discutem estratégias para enfrentar crise regional

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Na terça-feira (27), o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, e seu colega da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, mantiveram um diálogo por telefone para discutir medidas que visam conter a atual crise regional e evitar uma escalada do conflito.

A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores egípcio nesta quarta-feira (28), que destacou a importância da coordenação bilateral entre os dois países.

Em um contexto de crescente tensão, o Parlamento egípcio autorizou, na segunda-feira (26), o presidente Abdel Fattah al-Sisi a tomar “todas as medidas necessárias” para ajudar a Arábia Saudita em sua defesa, especialmente diante da intensificação dos combates entre o reino e os Houthis, um grupo iemenita alinhado ao Irã.

Autorização do Parlamento para apoio militar à Arábia Saudita

A aprovação do Parlamento permitiu que as Forças Armadas do Egito prestassem apoio na defesa da Arábia Saudita, conforme relatado por parlamentares e veículos de mídia local. Essa medida pode sinalizar um possível envolvimento direto do Egito no conflito regional, que se agravou com os recentes ataques dos Houthis contra o território saudita.

  • Os Houthis afirmam ter atingido a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita.
  • Um cidadão egípcio foi detido em Israel após tentar entrar ilegalmente no país.
  • Os Houthis reivindicaram uma nova série de ataques na Arábia Saudita.

Na semana anterior, o presidente al-Sisi havia solicitado ao Parlamento a aprovação para defender seu aliado árabe, que é o maior exportador de petróleo do mundo, caso a Arábia Saudita solicite ajuda contra os Houthis. A atuação desse grupo representa uma ameaça ao estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via de acesso ao Canal de Suez, que é crucial para o Egito.

O Egito, que frequentemente condena ataques do Irã e de seus aliados contra países do Golfo, até o momento não se envolveu em combates diretos e não aderiu ao pacto de defesa mútua assinado em agosto entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia. O ministro Badr Abdelatty declarou que a possível adesão do Egito a este pacto está sendo “seriamente analisada”.

Como o país mais populoso do mundo árabe e com uma das maiores forças militares da região, o Egito já integrou a coalizão liderada pela Arábia Saudita no início da guerra no Iémen, em março de 2015. Sua participação foi predominantemente naval, com o envio de navios de guerra para garantir a segurança das rotas marítimas no Mar Vermelho, além de prometer apoio aéreo. O Egito mobilizou aproximadamente 800 soldados, embora sua atuação no combate tenha sido limitada.

O Egito já havia se envolvido em uma intervenção militar custosa no Iémen na década de 1960 e, desde a Guerra do Golfo em 1991, não enviava tropas terrestres para operações em larga escala no exterior. A Arábia Saudita, por sua vez, é um parceiro político e financeiro crucial para o Cairo, tendo fornecido bilhões de dólares em ajuda e suprimentos de energia sob o governo de Sisi. O príncipe herdeiro saudita se reuniu com Sisi no Cairo em 15 de setembro para tratar de questões de segurança e navegação no Mar Vermelho, em meio ao aumento das hostilidades no Iémen.

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