Ronaldo Caiado saiu do governo de Goiás com aprovação acima de 80% e transformou essa herança no eixo central do seu plano presidencial.
O ex-governador (PSD) decidiu nacionalizar o que funcionou no estado —gestão fiscal austera, segurança pública reforçada e apoio ao agronegócio— para compensar o desconhecimento ainda alto fora do Centro-Oeste.
Eleito em 2018 e reeleito em 2022, Caiado construiu uma trajetória de ruralista combativo que virou gestor com viés liberal-conservador.
Depois de cinco mandatos como deputado federal, uma passagem pelo Senado e duas vitórias consecutivas no Palácio das Esmeraldas, deixou o cargo no fim de março para tentar o Planalto pela segunda vez —a primeira foi em 1989.
O PSD apostou nele para ocupar espaço no centro-direita e direita, mas a tarefa imediata é exatamente essa: fazer o eleitor de São Paulo, Minas ou Rio enxergar em Goiás o laboratório de um Brasil possível.
No plano local, a saída de Caiado abriu a sucessão estadual. Daniel Vilela (MDB), seu vice, lidera as pesquisas como favorito natural; Marconi Perillo (PSDB) aparece como principal adversário.
O modelo goiano segue como ativo político, mas quem herdar o governo terá de decidir se o usa apenas como propaganda ou se o transforma em política de Estado. Nacionalmente, o desafio é maior: pesquisas recentes ainda colocam Caiado entre 4% e 7% das intenções de voto, mas potencial de crescimento é relativamente alto, principalmente em levantamentos de segundo turno.
O “modelo Goiás” é o argumento para crescer, mas depende de caixa de campanha e de capacidade de furar a bolha regional.
A aposta é racional: quem governa bem em casa tem direito de sonhar com o país.

