quinta-feira, abril 23, 2026

Caiado pode ajudar Flávio ao assumir o papel de anti-Lula mais duro

Mais Notícias

Nos bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a leitura sobre Ronaldo Caiado ficou mais pragmática do que hostil. Aliados do senador passaram a ver com bons olhos a entrada mais firme do governador de Goiás no jogo presidencial, porque isso permitiria a Flávio tentar um movimento delicado: preservar a identidade bolsonarista sem carregar sozinho o tom mais agressivo contra Lula. Segundo relatos publicados nesta terça-feira (24), a avaliação é que Caiado tende a fazer um enfrentamento mais duro ao petista, enquanto Flávio ganharia espaço para se apresentar como nome menos áspero ao eleitor antilulista que ainda resiste ao bolsonarismo mais puro.

A lógica é simples. Com várias candidaturas de direita em circulação, cada uma pode testar um papel diferente no primeiro turno. A própria CNN já havia mostrado, em janeiro, que Caiado decidiu manter a pré-candidatura mesmo após o avanço de Flávio e que, no campo conservador, a estratégia era justamente deixar vários nomes em campo para medir força, discurso e território antes de uma convergência posterior. Nesse desenho, Caiado aparece como o nome mais vocacionado para o ataque frontal a Lula, especialmente em temas como segurança pública, ordem e antipetismo clássico.

Para Flávio, isso tem utilidade eleitoral. Se Caiado e também outros nomes da direita carregarem nas tintas contra o presidente, o senador do PL pode tentar uma embalagem mais moderada, menos incendiária e mais competitiva fora da bolha bolsonarista. Não por acaso, o time de análise política da XP registrou que a campanha de Flávio enxerga como positivo o fato de Caiado poder nacionalizar a pauta da segurança e adotar uma linha mais dura contra o governo federal, enquanto o esforço do senador seria o de construir um perfil mais palatável.

Há ainda um componente simbólico nessa história. Caiado guarda uma memória antiga de embate com Lula desde 1989, episódio que continua circulando no repertório político da direita e que ajuda a vender a ideia de uma revanche histórica. Mas, na prática, o que interessa ao flaviismo é menos a nostalgia do debate e mais a divisão de tarefas: Caiado tensiona, Flávio modera. Se esse arranjo funcionar, a direita pode chegar a 2026 com mais de um rosto para o mesmo campo político — um para incendiar a disputa, outro para tentar vencer no centro.

Outras Notícias

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados