A entrada de Ronaldo Caiado na disputa presidencial abriu uma nova frente dentro do agronegócio e tirou do PL a sensação de apoio automático no campo. O setor segue majoritariamente distante de Lula, mas agora passou a olhar também para um nome da direita com trajetória própria no agro.
Caiado chega a esse espaço com um ativo que Flávio Bolsonaro ainda tenta consolidar: histórico antigo de ligação com produtores rurais. O hoje pré-candidato do PSD presidiu a União Democrática Ruralista e fez da agricultura e da pecuária uma de suas bandeiras políticas desde a Câmara e o Senado. Na prática, isso dá a ele uma credencial que conversa com uma parte do eleitorado rural que quer um nome de direita, mas também cobra experiência administrativa e lastro setorial.
O movimento ganhou corpo depois que Caiado oficializou a filiação ao PSD em Jaraguá, em um ato com mais de 200 prefeitos, presença de Gilberto Kassab e lançamento de Daniel Vilela como nome à sucessão em Goiás. O gesto ampliou sua vitrine nacional e reforçou a tentativa de sair da condição de liderança regional para disputar espaço no campo conservador em escala brasileira.
Do lado de Flávio, o cenário ficou mais trabalhoso. A campanha ainda conta com desempenho competitivo nas pesquisas, mas não definiu vice e vê crescer a pressão para ter um nome capaz de dialogar com o agro. Tereza Cristina continua aparecendo nas conversas, com incentivo público de Valdemar Costa Neto, mas não há anúncio formal, e a própria senadora já foi citada em reportagens como alguém mais inclinada a seguir no Senado do que entrar na chapa.
No agro, isso tende a produzir um primeiro turno menos automático e mais transacional: menos adesão antecipada e mais cobrança por pauta, previsibilidade e compromisso concreto. Para Caiado, é a chance de transformar biografia em ativo eleitoral; para Flávio, é o fim da ideia de que esse apoio viria por inércia.

