Claudia Ohana celebra 44 anos de carreira e busca novos desafios artísticos

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Aos 63 anos, Claudia Ohana, com 44 anos de carreira, continua a se reinventar artisticamente. A atriz e cantora, que conquistou o público brasileiro com suas performances no teatro, cinema e televisão, atualmente brilha nos palcos do Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, interpretando Tânia Flores, uma vilã cômica no musical Festa no Arraial.

Em entrevista, Claudia compartilha sua conexão especial com o teatro: “Hoje em dia, o teatro representa a minha casa, é onde me sinto em casa. Ele me deu chão como atriz.” Ela destaca que a experiência teatral transformou sua carreira, facilitando sua atuação em outros meios. “Estar em cena é como estar em um trapézio sem rede. E isso é muito maravilhoso”, afirma.

Momentos marcantes no palco

Ao longo de sua trajetória, Claudia guarda com carinho momentos que fogem ao roteiro, como uma apresentação em que as luzes se apagaram. Em vez de interromper, ela pediu ajuda ao público para iluminar a cena com celulares: “Foi um momento muito mágico, daqueles que só o teatro pode proporcionar.”

Outro marco importante foi sua atuação na ópera Carmen, adaptada por Augusto Boal. “Aquela experiência ficou marcada para sempre em mim, porque foi um desafio muito grande”, relembra, enfatizando a importância do diretor em sua carreira.

Uma carreira multifacetada

Claudia iniciou sua trajetória no cinema em 1979, com o filme Amor e Traição, e rapidamente se destacou na televisão, com papéis icônicos como Natasha da novela Vamp e Isabela de A Próxima Vítima. Para ela, a transição entre as diferentes linguagens foi essencial para sua formação como atriz.

O teatro me deixou presente. Quando estou fazendo teatro, fazer televisão e cinema fica muito mais fácil para mim”, explica. Para Claudia, cada meio tem suas particularidades: “Fazer teatro é como cantar lírico; televisão é como cantar MPB; e cinema é jazz.”

Refletindo sobre sua carreira, Claudia aconselha a jovem que começou em 1979 a “ir fundo e acreditar em você.”

O legado de Natasha e o papel das vilãs

A personagem Natasha, da novela Vamp, continua viva na memória do público, mesmo 35 anos após sua estreia. “A Natasha tinha muita personalidade, humor e sensualidade”, destaca Claudia, que valoriza o impacto emocional que a personagem teve na vida de muitos fãs.

As vilãs também desempenham um papel crucial na carreira de Claudia. “O que me atrai nas vilãs é a possibilidade de explorar lados que não necessariamente fazem parte de mim”, comenta. Atualmente, ela se diverte interpretando Tânia Flores, uma vilã cômica que exige um equilíbrio entre humor e humanidade: “Preciso deixar a Tânia ser quase farsesca em alguns momentos, mas sem perder a humanidade dela.”

Buscando novos desafios e contando suas histórias

Claudia revela que sua abordagem para escolher personagens mudou ao longo dos anos. Agora, ela se mostra mais seletiva e busca papéis que provoquem descobertas pessoais. “Quero personagens que me provoquem, que tenham algo para dizer”, afirma.

A atriz também expressa o desejo de criar suas próprias histórias, ampliando sua participação no processo criativo. “Quero continuar cantando, fazendo teatro, cinema, televisão. Não sinto que estou numa fase de conclusão da minha carreira, muito pelo contrário. Estou numa fase de muita curiosidade.”

Reflexões sobre a vida e o envelhecimento

Fora dos palcos, Claudia valoriza os papéis de mãe e avó. Mãe de Dandara Guerra e avó de Martim e Arto, ela reflete sobre a passagem do tempo: “Ser mãe e avó me fizeram enxergar o tempo de uma maneira muito diferente.”

Claudia é uma defensora de uma visão positiva sobre o envelhecimento, considerando-o um privilégio. “Tenho orgulho da minha idade e vejo a palavra ‘velha’ como sinônimo de experiência e liberdade.”

Com um olhar otimista para o futuro, ela revela que ainda possui muitos sonhos profissionais, incluindo atuar, cantar e desenvolver projetos próprios. “Enquanto eu tiver vontade de criar e me colocar em situações novas, vou sentir que ainda tenho muito para viver artisticamente,” conclui.

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