A covid longa voltou ao centro do debate científico após uma revisão internacional apontar que a condição pode afetar o cérebro, o comportamento e a saúde mental, além de estar associada a mais de 200 sintomas.
Entre eles estão fadiga, falta de ar, perda de memória, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, ansiedade e depressão.
O trabalho reuniu 14 especialistas de vários países e teve participação da neurologista Clarissa Yasuda, da Unicamp, única brasileira entre os autores.
A revisão foi publicada na revista Nature Reviews Disease Primers e sustenta que a covid longa não se resume a um cansaço persistente: ela pode comprometer funções cognitivas e atrapalhar tarefas simples do dia a dia e o desempenho no trabalho.
Segundo a revisão, há vários mecanismos biológicos possíveis por trás desse quadro, como persistência viral, reativação de outros vírus, inflamação crônica, alterações imunológicas, problemas de coagulação e danos em vasos sanguíneos.
Isso ajuda a explicar por que os sintomas variam tanto de uma pessoa para outra e por que o diagnóstico ainda costuma ser difícil.
A estimativa citada pelos pesquisadores é que entre 80 milhões e 400 milhões de pessoas no mundo convivam com covid longa.
O tamanho da faixa mostra que ainda há incerteza sobre a dimensão exata do problema, mas não sobre sua existência. O desafio agora é transformar esse acúmulo de evidências em diagnóstico mais rápido, acompanhamento adequado e tratamento mais consistente.

