O mercado financeiro brasileiro fechou a terça-feira, 3 de novembro, em um cenário negativo, com o dólar exibindo alta e a bolsa de valores ampliando suas perdas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A moeda norte-americana registrou um avanço de 0,74%, encerrando próxima da marca de R$ 5,50. Já o índice Ibovespa recuou pela sexta sessão consecutiva, atingindo o menor patamar desde janeiro.
Movimentação do Dólar
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,486, após alcançar a máxima de R$ 5,509 durante o pregão. O aumento da moeda se deu em um contexto de cautela entre os investidores, refletindo incertezas sobre a condução da política econômica brasileira.
Este movimento ocorreu no primeiro pregão de novembro, após o feriado de Finados, e em meio a uma semana marcada pela desvalorização dos ativos nacionais. Desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro, o mercado cambial tem enfrentado pressão sobre o real.
Dentre os fatores que influenciaram o comportamento do câmbio, destacam-se:
- Incertezas fiscais, com dúvidas sobre as contas públicas e a agenda econômica do governo;
- Expectativas em relação à taxa Selic, com investidores aguardando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para quarta-feira;
- Repercussão das propostas econômicas do economista André Lara Resende sobre mudanças no regime monetário;
- Cenário internacional, com as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e a valorização do dólar em relação a outras moedas.
Na manhã de ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou que as propostas de Lara Resende apresentam deficiências e não estão em discussão no governo, enfatizando a defesa de um ajuste fiscal gradual.
No cenário externo, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,13%, alcançando 101,850 pontos às 17h35.
Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa fechou com uma queda de 1,42%, terminando o dia aos 165.528,92 pontos, conforme dados preliminares. Durante a sessão, o índice chegou a perder a marca de 165 mil pontos, atingindo uma mínima de 164.446,53 pontos às 11h23.
Esse resultado representa o sexto dia seguido de perdas desde a reeleição de Lula, sendo que no último pregão antes das eleições, o índice estava acima de 205 mil pontos. As ações de Petrobras e Vale, que são as mais negociadas, contribuíram para a pressão negativa sobre o índice, em um dia marcado por ajustes nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities.
Além disso, enquanto ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos mostravam recuperação, o mercado brasileiro continuou sob pressão devido às incertezas internas.
Expectativas para a Selic
A reunião do Copom pautou a atenção dos investidores, uma vez que a taxa Selic se encontra em 13,75% ao ano. O mercado observa a possibilidade de manutenção desse patamar frente à deterioração das expectativas inflacionárias e à desvalorização do real.
O boletim Focus, divulgado na terça-feira, revisou para cima a projeção de inflação para 2027, passando de 4,34% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta de 4,5%. A estimativa para a Selic ao final do próximo ano também subiu, de 11,75% para 12,50%.
A decisão do Banco Central, juntamente com o comunicado sobre os próximos passos da política monetária, deve impactar o comportamento dos ativos brasileiros nas próximas sessões.


