O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou nesta quarta-feira (4) que os resultados das Eleições de Meio de Mandato nos Estados Unidos indicam uma rejeição clara por parte dos eleitores a políticas que “apenas empobrecem”, assim como ao ódio, ao sexismo e à negação das mudanças climáticas. Essa análise foi feita após as derrotas do Partido Republicano nas eleições, que demonstraram uma tendência crescente em favor dos democratas.
A onda azul nas eleições americanas
A chamada “onda azul”, que se referiu ao desempenho superior do Partido Democrata nas eleições, superou as expectativas que já eram otimistas. Candidatos democratas conseguiram manter o controle em estados considerados críticos e até conquistaram cadeiras adicionais, superando os requisitos necessários para assegurar a liderança na Câmara e no Senado.
Apesar dos desafios que ainda enfrentam, como a necessidade de unir facções internas com visões divergentes, a vitória nas Midterms representa uma demonstração significativa de força do Partido Democrata, que se mostrou fragmentado e em dificuldades para conter a influência de Donald Trump à medida que se aproxima a eleição de 2024.
- Kremlin espera que resultados das Midterms não afetem ações de Trump
- Entenda a virada democrata nas eleições dos EUA em sete pontos
- EUA registram marcos históricos de representatividade nas eleições
Rejeição às políticas de Trump
As derrotas do Partido Republicano podem ser vistas como um indicativo da insatisfação do eleitorado em relação às políticas de Donald Trump. O ex-presidente, que prometeu melhorar a economia e combater a inflação durante seu mandato, acabou envolvendo o país em conflitos comerciais que contradisseram suas promessas iniciais. Embora a economia americana tenha apresentado um crescimento sólido de cerca de 3% ao ano, a elevação das taxas de juros e o aumento dos preços de produtos essenciais, como alimentos e combustíveis, têm pesado no orçamento dos cidadãos.
As Eleições de Meio de Mandato são frequentemente consideradas como um referendo sobre o desempenho do presidente nos primeiros dois anos de mandato. Trump, que entrou nas eleições com uma baixa popularidade, com apenas 32% de aprovação nas pesquisas, pediu aos eleitores que o vissem como candidato, o que, segundo analistas, poderia ter influenciado a rejeição ao seu partido.
Impactos da guerra e tarifas no custo de vida
A guerra no Oriente Médio e as tarifas impostas têm impactado profundamente o custo de vida, especialmente entre eleitores em estados tradicionalmente conservadores, como Iowa e Kansas, onde democratas conseguiram reverter a tendência republicana e conquistar cadeiras no Senado. Ao mesmo tempo, o eleitorado ficou ciente do crescimento das fortunas de Trump e de seus aliados, como Elon Musk, o que também foi explorado na campanha pelos democratas.
James Talarico, o primeiro senador democrata do Texas desde 1988, enfatizou durante sua campanha que a divisão nos EUA não é entre direita e esquerda, mas entre as elites e a classe trabalhadora, criticando os adversários por receberem financiamento de “megadoadores bilionários”.
O peso do voto latino e a questão da imigração
No Texas, o voto latino teve um papel crucial. Embora em 2020 os latinos e hispânicos tenham contribuído para a eleição de Donald Trump, a perda de apoio dessa parte do eleitorado nas recentes eleições ajudou a selar o destino do Partido Republicano. Assim como outros americanos, os latinos também têm sentido os efeitos das tarifas e dos conflitos no Oriente Médio, além de serem fundamentais na cadeia produtiva do setor agropecuário.
O medo das operações do ICE, a polícia de imigração, levou muitos trabalhadores a se ausentarem do trabalho, gerando desestabilização em setores como a construção civil. A percepção negativa sobre as táticas agressivas do ICE tem gerado críticas, que foram amplamente abordadas durante a campanha.
Votação antecipada e seus efeitos
A votação antecipada também foi um fator decisivo para a vitória dos democratas. Mais de 58 milhões de votos antecipados foram registrados, com os democratas liderando em 13 pontos percentuais sobre os republicanos. Esse cenário foi especialmente evidente em estados que foram fundamentais para a chamada onda azul, como Iowa, Maine, Ohio e Carolina do Norte.
Em muitos estados, os votos antecipados são contabilizados primeiro, o que possibilitou uma vantagem inicial para os democratas no momento da apuração e divulgação dos resultados.


