O Paraná virou um ponto sensível na articulação da direita para 2026.
Flávio Bolsonaro decidiu manter o apoio do PL a Sérgio Moro na disputa pelo governo estadual, mesmo com Ratinho Júnior trabalhando para lançar um nome próprio à sua sucessão.
O movimento cria distância entre os dois neste primeiro turno e mexe num estado estratégico para qualquer projeto presidencial.
A escolha tem peso político porque não se trata apenas de um apoio local.
Moro, hoje no União Brasil, deve se filiar ao PL nesta terça-feira (24) para disputar o Palácio Iguaçu, numa costura que também busca garantir palanque a Flávio no estado caso Ratinho siga outro caminho nacional.
A operação foi tratada como acordo já resolvido entre o senador bolsonarista e o ex-juiz.
Do lado de Ratinho, a lógica é outra. O governador ainda prioriza a definição de seu sucessor e avalia nomes do próprio grupo, como Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca.
Em outras palavras: o apoio a Moro contraria diretamente o desenho político do PSD no Paraná e enfraquece a chance de uma composição automática entre ratinhistas e bolsonaristas no estado.
Há ainda um componente simbólico. Moro foi alvo de forte resistência do bolsonarismo em outros momentos e já ocupou o posto de ex-aliado que virou problema para Jair Bolsonaro.
O apoio de Flávio, portanto, não é um gesto trivial: ele reorganiza alianças, produz desconforto entre setores mais fiéis ao bolsonarismo raiz e tende a gerar novos ruídos na política paranaense, justamente quando Ratinho tenta manter seu grupo unido para a sucessão.
No fim, o Paraná deixou de ser só uma disputa estadual e virou teste de força entre dois projetos que, por enquanto, seguem no mesmo campo, mas já não caminham exatamente na mesma direção.
Fontes: CNN Brasil, Gazeta do Povo

