quinta-feira, abril 23, 2026

Gayer começa a sentir o custo de ficar fora do guarda-chuva caiadista

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As primeiras pesquisas da pré-campanha em Goiás acenderam um alerta para Gustavo Gayer: o deputado do PL segue competitivo, mas já não chega sozinho com a mesma força à disputa pelo segundo voto ao Senado. Em uma corrida de duas vagas, isso pesa mais do que a militância barulhenta das redes.

A leitura mais incômoda para o entorno de Gayer está nos detalhes. Na Paraná Pesquisas, Gracinha Caiado aparece com 39,1%, Vanderlan Cardoso com 28,5% e Gayer com 27,5%. Na Gerp, Gayer ainda fica à frente de Vanderlan no recorte do primeiro voto, por 20% a 15%, mas perde para o senador no cenário de segundo voto, por 8% a 12%. Traduzindo o movimento: ele mantém nicho, mas começa a ter dificuldade para capturar o voto complementar que decide a segunda cadeira.

O problema é político, não só numérico. A articulação que colocaria Gayer na composição com o grupo de Ronaldo Caiado fracassou quando o PL manteve Wilder Morais no projeto próprio, e Flávio Bolsonaro admitiu a Caiado que não conseguiu sustentar o acordo. Isso tirou Gayer de uma engrenagem que lhe daria palanque municipal, capilaridade e proximidade com um campo que saiu do governo com 84,7% de aprovação. Para piorar, a ausência de Wilder no evento de pré-campanha de Gayer em Goiânia deixou à vista que o PL goiano continua dividido.

Vanderlan não cresce porque virou fenômeno; cresce porque ocupa melhor o espaço do voto útil, moderado e territorializado. Como senador em exercício, ele disputa a segunda vaga com menos ruído ideológico e mais aderência a uma lógica que o interior de Goiás conhece bem: quem já está integrado ao tabuleiro leva vantagem quando a eleição deixa de ser grito e vira composição. Se Gayer não reconstruir pontes fora da bolha e seguir preso ao impasse do PL, pode entrar em 2026 falando forte para os seus e vendo o segundo voto escorrer para o centro do jogo.

O teste real agora não é de discurso, mas de arranjo: ou Gayer amplia base antes da chapa ganhar forma definitiva, ou vai disputar o Senado com muita plateia, pouca estrutura e um adversário ocupando exatamente o espaço que mais decide essa eleição.

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