A inflação oficial ganhou força em março e veio acima do que o mercado projetava. O IPCA subiu 0,88% no mês, depois de alta de 0,70% em fevereiro. Com isso, o acumulado de 2026 chegou a 1,92%, e a taxa em 12 meses avançou para 4,14%.
O dado do IBGE saiu acima da mediana das projeções de mercado, que girava em torno de 0,77%. A pressão maior veio de transportes e alimentação e bebidas, que juntos responderam por 76% do índice do mês.
Ou seja: o número piorou não por um único choque isolado, mas por uma combinação de itens sensíveis ao bolso e ao humor da economia.
O contexto internacional ajuda a explicar parte da tensão, especialmente pela volatilidade do petróleo após a guerra no Oriente Médio, mas o texto do IBGE não atribui formalmente o resultado de março apenas a esse fator.
A leitura mais segura, por ora, é que o choque externo agravou o ambiente, enquanto combustíveis e alimentos seguiram puxando a inflação doméstica.
O número coloca mais pressão sobre a política econômica e complica o discurso de alívio rápido no custo de vida.
Depois de fevereiro já ter frustrado expectativas, março reforça que a inflação continua espalhada e sensível tanto ao cenário externo quanto aos preços mais básicos da rotina brasileira.

