Tribunal de Justiça rejeita pedidos da defesa do rapper Oruam e dá continuidade à ação de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho.
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negou uma série de solicitações feitas pela defesa do rapper Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam, e determinou a continuidade da ação penal em que ele é acusado, juntamente com seu pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mais nove investigados, de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
A decisão, à qual o Metrópoles teve acesso, estabelece que a ação penal, que está em segredo de Justiça, investiga um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa destinado a ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas operado pelo CV em comunidades do Rio de Janeiro.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Oruam estaria utilizando sua carreira artística para disfarçar valores oriundos de atividades ilícitas e custear despesas pessoais.
Pedidos da defesa
- A defesa de Oruam havia solicitado a realização de uma perícia técnica nos dados telemáticos e na cadeia de custódia das provas, que são procedimentos para preservar a integridade e a documentação de um vestígio desde a coleta;
- Foi requerido também que o Google fosse notificado a fornecer os dados brutos de e-mails de um dos réus;
- A defesa pediu ainda que a Polícia Judiciária fosse proibida de se manifestar nos autos sem convocação da Justiça ou do Ministério Público (MP).
Entretanto, ao analisar os pedidos, o TJRJ indeferiu todas as solicitações. Segundo a Corte, o processo penal deve seguir as etapas estabelecidas e a antecipação de discussões sobre a validade das provas, antes do momento processual adequado, poderia causar “tumulto no andamento da ação”.
Em relação aos pedidos de perícia e obtenção de dados do Google, o juiz afirmou que a defesa não apresentou elementos concretos que indicassem irregularidades nas mídias ou nas provas. Já o pedido para restringir as manifestações da Polícia Judiciária foi negado, uma vez que prestar esclarecimentos técnicos sobre as investigações é uma das atribuições legais da corporação.
Contexto da denúncia
Em 30 de janeiro de 2026, o MPRJ ofereceu denúncia contra Oruam, Marcinho VP e outras nove pessoas, acusando-os de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dois meses depois, a Justiça do Rio aceitou a denúncia, tornando todos os denunciados réus.
A denúncia, elaborada pela 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, revela a existência de um esquema elaborado para o “branqueamento” de recursos oriundos do tráfico de drogas. Mesmo cumprindo pena há mais de 20 anos, Marcinho VP manteria influência direta sobre o Comando Vermelho, coordenando decisões estratégicas e a movimentação financeira da facção.
A investigação indica que o grupo operava de maneira organizada, com divisão de funções e atuação contínua. A gestão financeira do esquema era supostamente responsabilidade de Márcia Nepomuceno, que recebia valores em espécie de traficantes e ocultava o patrimônio por meio de empresas, imóveis e fazendas.
Entre os citados como fornecedores de recursos estão Edgar Alves de Andrade, o Doca, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, e Luciano Martiniano, o Pezão. A denúncia ainda divide o grupo em quatro núcleos:
- Liderança encarcerada: Marcinho VP, responsável pelas decisões estratégicas;
- Núcleo familiar: Márcia, Oruam e Lucas Nepomuceno, que gerenciavam os recursos;
- Suporte operacional: integrantes utilizados como “testas de ferro” para ocultação de bens;
- Liderança operacional: traficantes encarregados da atuação nas comunidades e do repasse de valores.
O advogado de Oruam, Thiago Lemos, declarou que a decisão do TJRJ é equivocada, alegando que a prova que fundamenta a ação penal é ilícita. Ele afirmou que a defesa já realizou perícia que comprova a ilicitude da prova e que essa documentação será apresentada ao Juízo em breve.

