Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), revelam uma intensa negociação relacionada a um esquema de fraude bilionária em troca de propinas. As conversas foram obtidas pela Polícia Federal e fazem parte do processo do Caso Master, cujo sigilo foi levantado nesta sexta-feira (11) pelo relator, ministro André Mendonça, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. Na investigação, estima-se que a fraude tenha gerado um prejuízo de cerca de R$ 17 bilhões. O BRB adquiriu créditos de baixo valor do Banco Master e tentou, ainda, a compra da instituição de Vorcaro. Paulo Henrique é acusado de ter recebido R$ 146 milhões em imóveis como parte da negociação corrupta. Ambos os envolvidos estão atualmente detidos.
Problemas com Carteiras de Crédito
Em 2024, a equipe do BRB identificou irregularidades nas carteiras de crédito consignado fornecidas pelo Banco Master. Vorcaro, diante da situação, solicitou assistência para “liquidar alguma coisa” rapidamente, mencionando as carteiras do INSS como uma possível solução. No entanto, Paulo Henrique alertou sobre a alta inadimplência de algumas dessas carteiras e expressou insatisfação com a taxa de originação, um custo vinculado aos contratos. Durante a troca de mensagens, Vorcaro questionou como o banco poderia se beneficiar da transação. Paulo Henrique sugeriu que, para evitar explicações complicadas, poderiam manter outras taxas, ao que Vorcaro concordou, afirmando que “dar um jeito” seria possível. A conversa continuou com Vorcaro expressando a necessidade de finalizar a operação, mesmo que isso significasse assumir um prejuízo. O ex-presidente do BRB, então, sugeriu que, caso conseguissem quantificar as perdas, poderiam ajustar o valor em futuras operações. A Polícia Federal interpretou isso como uma tentativa de compensar eventuais prejuízos de Vorcaro em transações que seriam facilitadas pelo BRB.
Negociações e Falta de Documentação
Em 11 de março de 2025, apenas 17 dias antes do anúncio da compra do Banco Master pelo BRB, Vorcaro manifestou seu interesse em continuar no negócio, temendo que Paulo Henrique estivesse fora das transações. Este, por sua vez, reafirmou sua disponibilidade, mas destacou a necessidade de que todas as transações fossem documentadas adequadamente. Paulo Henrique enfatizou a importância de superar esses requisitos documentais, enquanto Vorcaro, em um tom persuasivo, sugeriu que era hora de “partir pro gol” e tratar das pendências depois. A Polícia Federal considera que essa frase indica uma pressão de Vorcaro sobre Paulo Henrique para realizar operações, mesmo diante de falhas na documentação. Após a compra do Master ser anunciada em 18 de abril, Paulo Henrique expressou seu desejo de visitar o banco, ao que Vorcaro respondeu que ele poderia ir a qualquer dia, dizendo “sinta como se fosse seu o banco”, enfatizando a relação próxima entre eles. Paulo Henrique, em tom de brincadeira, reafirmou: “ele NUNCA deixará de ser SEU banco.” As mensagens entre os dois, segundo a Polícia Federal, evidenciam um vínculo que transcende uma mera negociação financeira, indicando um entendimento mútuo como parceiros de um projeto que envolvia a aquisição do Banco Master pelo BRB.

