A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ampliou o uso comercial do nome “Jair Bolsonaro” e o levou para uma vitrine inusitada no INPI. Entre os pedidos e registros associados ao nome do ex-presidente aparecem categorias como cerveja, bebidas alcoólicas, isqueiros, vaporizadores para fumantes, café, peixe em conserva e até bananada.
O movimento reacendeu críticas porque transforma um capital político construído nas urnas e na militância em ativo de mercado, com potencial para virar linha de consumo. Na prática, o sobrenome Bolsonaro deixa de funcionar só como marca eleitoral e passa a disputar espaço também como marca comercial, num cardápio que vai do supermercado ao balcão de conveniência.
A discussão ganhou novo peso porque parte desses itens contrasta com a imagem pública de Michelle, frequentemente vinculada a discurso religioso e conservador. O caso também reforça uma tendência já visível no bolsonarismo: a mistura cada vez menor entre política, identidade e negócio.
O ponto central agora não é só o registro em si, mas o efeito simbólico dessa operação. Quando um nome político vira produto, a militância deixa de ser apenas base de apoio e passa a ser também mercado consumidor.

