terça-feira, maio 19, 2026

Michelle vira reserva política enquanto Flávio tenta conter a crise

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O silêncio de Michelle Bolsonaro sobre a crise de Flávio Bolsonaro funciona como preservação de espaço dentro da direita. Em política, às vezes, não entrar na defesa é a forma mais clara de não dividir o custo.

Flávio confirmou nesta terça-feira (19) que visitou Daniel Vorcaro após a primeira prisão do ex-banqueiro, em 2025, e disse ter ido ao encontro para “botar um ponto final” na negociação envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro.

A explicação veio depois da divulgação de áudios e mensagens em que o senador aparece cobrando recursos para a produção “Dark Horse”, fato que ele admitiu, embora negue ter recebido vantagem indevida.

O problema político não está apenas no contato. Está na sequência. Flávio primeiro tentou afastar sua imagem do Banco Master, depois admitiu a negociação e agora precisou explicar uma visita feita após a prisão de Vorcaro. Isso reduz a margem de defesa pública e pressiona o PL a tratar o caso como risco de campanha, não como simples ataque de adversários.

Michelle, nesse quadro, preserva um ativo que Flávio perde: distância operacional do episódio.

A ex-primeira-dama já vinha sendo citada nos bastidores como alternativa em caso de desgaste maior, embora aliados do PL tenham tentado descartar uma troca neste momento. A própria necessidade de negar essa possibilidade mostra que o nome dela continua disponível para parte da direita.

A primeira pesquisa nacional divulgada após as revelações, da AtlasIntel/Bloomberg, mostrou Lula à frente de Flávio em eventual segundo turno, por 48,9% a 41,8%.

Antes, levantamentos como Datafolha e Quaest indicavam disputa tecnicamente apertada. O teste real agora será medir se o caso fica restrito à bolha política ou se começa a mexer na confiança do eleitor conservador fora do núcleo bolsonarista.

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