quarta-feira, abril 22, 2026

O “efeito Zambelli” que assusta a campanha de Flávio

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Entre aliados de Flávio Bolsonaro, o receio não é só a força de Lula ou a dificuldade de ampliar alianças.

O medo é outro: que Eduardo Bolsonaro, falando dos Estados Unidos como se ainda comandasse parte do jogo no Brasil, produza um fato político tóxico na reta eleitoral e entregue ao adversário um argumento pronto sobre radicalismo, tutela externa e desprezo pela soberania nacional.

No bolsonarismo, Carla Zambelli virou um nome-síntese desse risco. Foi o próprio Jair Bolsonaro quem disse, em 2025, que a cena da deputada armada na véspera do segundo turno de 2022 “tirou o mandato” da chapa.

É esse trauma que reaparece agora quando Eduardo fala em acionar autoridades dos EUA contra integrantes do TSE durante a eleição de 2026.

Ainda que seus defensores tentem vender isso como denúncia internacional, a leitura política é mais simples: parece pressão estrangeira sobre a disputa brasileira.

O próprio senador admitiu publicamente que tenta segurar os ataques do irmão contra aliados, como no embate com Nikolas Ferreira, e Valdemar Costa Neto foi aos EUA para tentar esfriar a crise.

Ao mesmo tempo, Eduardo declarou que pretende voltar ao Brasil em 2027 se Flávio vencer, reforçando a imagem de uma campanha presidencial cercada por um núcleo familiar que mistura sucessão política, ressentimento institucional e articulação externa.

Isso pesa ainda mais porque Flávio não disputa hoje apenas com a militância bolsonarista.

As pesquisas mais recentes o colocam em terreno competitivo contra Lula, inclusive com empate técnico ou vantagem numérica apertada no segundo turno.

Nessa faixa do eleitorado, qualquer fala que sugira sanção estrangeira, crise institucional permanente ou desprezo pelos limites nacionais pode funcionar como espantalho para a centro-direita e para o antipetista moderado.

Se Eduardo insistir nesse papel, Flávio pode descobrir tarde demais que herdou o sobrenome, mas também herdou o risco de perder votos decisivos por excesso de ruído nas narrativas eleitorais.

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