A reação de Eduardo Bolsonaro contra Ronaldo Caiado pressiona a pré-campanha de Flávio no ponto mais sensível: ampliar apoio fora do núcleo familiar.
O efeito político é direto e pode mexer um pouco mais na instável relação dos irmãos Bolsonaro com aliados : a família voltou a tratar divergência como ameaça.
Caiado criticou a atuação de Flávio nos EUA e classificou como inaceitável vincular tarifas ao calendário eleitoral brasileiro.
O ex-governador de Goiás não é adversário comum. Aliado histórico, fala com o agronegócio e foi escolhido pelo PSD de Kassab para ocupar o espaço de alternativa contra Lula.
A resposta dos irmãos amplia uma sequência de atritos internos.
Primeiro veio o desgaste com Michelle Bolsonaro. Depois, a tensão alcançou Nikolas Ferreira, que negou participação no vídeo da ex-primeira-dama contra Flávio. Agora, Caiado entra na linha de ataque em pauta sensível para setores produtivos.
AtlasIntel/Bloomberg, de 26 a 30 de junho, mostrou Lula à frente de Flávio num eventual segundo turno, por 48,8% a 42,3%. O dado impõe urgência à expansão da campanha e a manutenção de ativos eleitorais e Caiado usa crises de Lula e Flávio para disputar legitimidade na direita e crescer mais nas pesquisas.
O próximo teste será a reação do PL e de Jair Bolsonaro: se a campanha tratar aliados como inimigos, Flávio tende a chegar à largada oficial mais cercado por fiéis do que amparado por apoios capazes de reduzir rejeição.

