Flávio esbarra na própria direita antes de enfrentar Lula

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Flávio Bolsonaro entrou na disputa presidencial com o sobrenome mais forte da direita, mas ainda não mostrou comando suficiente sobre o grupo que pretende liderar.

A audiência nos Estados Unidos sobre a tarifa de 25% contra produtos brasileiros expôs esse limite. O senador tentou se afastar do desgaste provocado pela pressão americana, defendeu o Pix e pediu que o governo Donald Trump suspenda a decisão. A cobrança interna, porém, veio rápido. Paulo Figueiredo, aliado influente do bolsonarismo nos EUA, criticou a comunicação da pré-campanha e apontou falhas na divulgação da fala de Flávio em Washington.

O problema vai além de um vídeo ruim ou de um release atrasado. Flávio precisa provar que consegue coordenar partido, família, aliados digitais e palanques estaduais. Hoje, o PL ainda enfrenta indefinições em estados importantes, como Minas Gerais, Bahia, Ceará, Pará e Tocantins. Em parte deles, há disputa entre candidaturas próprias, apoios a nomes de outros partidos e interesses locais que nem sempre obedecem ao comando nacional.

A crise com Michelle Bolsonaro ampliou esse desgaste. O conflito começou pela disputa de apoio no Ceará e levou a ex-primeira-dama a deixar a presidência do PL Mulher. Para uma campanha que tenta reduzir rejeição entre mulheres e evangélicos, perder Michelle como operadora política ativa cobra preço alto. A tentativa de Flávio de tratar o caso como assunto superado não elimina o dano: a divisão ficou pública.

Lula enfrenta rejeição alta, desgaste de governo e dificuldade econômica. Ainda assim, aparece à frente de Flávio em pesquisas recentes e conseguiu transformar a discussão das tarifas em defesa de soberania nacional. Flávio, por enquanto, responde tentando explicar que não criou o problema que agora promete resolver.

Se a tarifa americana for mantida, o senador terá de enfrentar uma pergunta prática dentro da própria direita: de que vale a proximidade com Trump se ela não entrega proteção ao Brasil nem unidade para sua campanha?

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