O avanço de projetos com impacto bilionário no Senado mostra como o gasto público voltou a ser usado como moeda de pressão em Brasília.
Na quarta-feira, o Senado aprovou a renegociação de dívidas rurais com possibilidade de uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O texto beneficia produtores afetados por eventos climáticos e impactos econômicos ligados a conflitos internacionais. A proposta volta agora para a Câmara.
No mesmo dia, comissões do Senado também aprovaram a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias e o piso nacional de R$ 13.662 para médicos e dentistas. As medidas têm apelo eleitoral, atendem categorias organizadas e ampliam a pressão sobre o Orçamento. Estimativas publicadas pela imprensa apontam impacto que pode passar de R$ 200 bilhões nos próximos anos.
A queda de braço expõe uma regra conhecida em Brasília: quando o governo aumenta despesas para sustentar apoio político, chama de política pública; quando o Congresso faz o mesmo contra o governo, chama de pauta-bomba. Nos dois casos, a conta não desaparece. Ela chega em forma de imposto, dívida, corte em outra área ou serviço pior.
O problema não está em uma sigla específica. Governo, oposição, direita e esquerda recorrem ao gasto sem fonte clara quando isso rende voto, apoio ou poder de negociação. As próximas etapas serão a análise dos textos pela Câmara, o risco de veto presidencial e a disputa para saber quem vai assumir o custo político dessa conta.

