O sistema de pagamento mais usado pelos brasileiros virou um dos pontos de atrito na nova ofensiva comercial de Donald Trump contra o país.
O governo dos Estados Unidos acusa o Banco Central de favorecer um serviço público de pagamento eletrônico em prejuízo de empresas americanas do setor financeiro e digital.
A crítica aparece dentro da investigação da Seção 301, usada por Washington para justificar a proposta de tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
O Pix incomoda porque mudou o mercado de pagamentos no Brasil. Criado pelo Banco Central, ele funciona todos os dias, em tempo real, com custo baixo para empresas e sem cobrança para pessoas físicas na maior parte das operações.
Em cinco anos, passou de quase 170 milhões de usuários e movimentou R$ 11 trilhões só em 2024, segundo o BC.
A queixa americana também envolve cartões, fintechs e big techs. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o incômodo cresce porque o Pix reduziu espaço de sistemas privados, virou referência fora do Brasil e já começa a ser usado em operações internacionais, ainda de forma limitada.
O Brasil nega que o sistema prejudique a concorrência e tenta resolver a disputa por negociação.
O prazo para envio de comentários ao governo americano vai até 1º de julho, com audiência pública marcada para 6 de julho e decisão prevista até 15 de julho.

