Site oferece tokens digitais para usuários que compartilham mensagens de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro. Campanha gera polêmica.
Um novo site começou a circular esta semana, oferecendo criptomoedas e promovendo a distribuição de tokens digitais para usuários que compartilhem mensagens de apoio ao candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa, que gera controvérsia, se apresenta como um “movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajuda às Hyperkids para finalizar sua casa em Kampala”, conforme informado em uma reportagem da Folha de S.Paulo.
Hyperkids e o envolvimento com a campanha
As Hyperkids são um grupo de crianças e adolescentes de Uganda que utilizam danças para atrair a atenção dos internautas. Atualmente, o perfil desse grupo conta com quase 13 milhões de seguidores e está promovendo o esquema de criptomoedas. Em um vídeo divulgado, as crianças mencionam que há “um novo token e o objetivo dele é ajudar o Brasil”. No final do vídeo, os jovens citam Flávio Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, um empresário que recentemente se uniu à campanha do candidato.
Legalidade da iniciativa e reações
De acordo com o Artigo 57-C da Lei das Eleições, que data de 30 de setembro de 1997, é proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, exceto o impulsionamento de conteúdos, que deve ser claramente identificado e contratado apenas por partidos, coligações, candidatos e seus representantes. O pesquisador Paulo Rená, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, apontou que a ação pode ser considerada ilegal, pois envolve a promessa de uma vantagem econômica vinculada a uma campanha eleitoral.
Rená levanta questões sobre quem está por trás da organização e se a campanha de Flávio Bolsonaro tem conhecimento sobre essa iniciativa. Ele observa que a falta de relação com o Brasil e a ausência de um direcionamento claro para uma causa nacional podem indicar uma tentativa de burlar a legislação eleitoral e a supervisão desse tipo de atividade.
O site, por sua vez, declara que a “distribuição de tokens é independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda eleitoral”, assegurando que o projeto “não é oficial, não é endossado nem está vinculado a qualquer político, partido, candidatura ou campanha eleitoral, e não se trata de doação eleitoral”.
A campanha de Flávio Bolsonaro informou que desconhece a autoria do site de criptomoedas e anunciou que tomará medidas judiciais para derrubar a página, abrangendo as esferas eleitoral, cível e criminal. O candidato também negou ter contratado perfis para promover conteúdos ou produtos relacionados à sua campanha.
Na quinta-feira, a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), protocolou uma denúncia na Procuradoria-Geral Eleitoral sobre a distribuição de ativos virtuais em troca de apoio político. A coligação solicita a identificação dos responsáveis e a investigação de possíveis crimes eleitorais, incluindo o uso de estruturas comerciais para aliciar eleitores, conforme previsto no Código Eleitoral.


