A federação composta pelo PT, PCdoB e PV anunciou, de forma unânime, seu apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em reunião realizada nesta terça-feira (27/10).
A decisão marca uma aproximação da esquerda com o Centrão, grupo que busca garantir a recondução de Motta ao cargo e evitar que o PL, partido do candidato derrotado à presidência, Flávio Bolsonaro, assuma o comando da Casa em 2027.
O anúncio foi feito pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), ao término do encontro com Motta. “Queremos construir um bloco que dê governabilidade à pauta do governo, avançando nos projetos do presidente Lula aqui na Casa”, declarou Uczai. Ele destacou que a aliança representa uma composição estratégica para os próximos quatro anos, destinada a assegurar que a pauta do governo avance e que não haja retrocessos.
Alinhamento de forças na Câmara
Com o apoio da federação, os partidos que se uniram em prol da reeleição de Motta somam agora 361 dos 513 deputados federais eleitos para a próxima legislatura. Deste total, a federação conquistou 88 cadeiras, das quais 70 pertencem ao PT. O bloco do Centrão já contava com 252 parlamentares, e a adesão do PSB e do PDT trouxe mais 21 representantes ao movimento.
A mobilização pela reeleição de Motta começou a ganhar força em 14 de outubro, quando 10 partidos se juntaram para apoiá-lo, incluindo União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, PRD e Solidariedade. Recentemente, PSB e PDT também se uniram ao esforço, que já possuía maioria numérica antes da decisão do PT.
Estratégia contra o PL
A nova estratégia política visa conter o PL, que obteve 121 cadeiras e será a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro. O partido de Flávio Bolsonaro defende uma candidatura própria à presidência da Casa, o que levou Motta a intensificar as negociações com partidos do centro e da esquerda em busca de garantir sua permanência no cargo.
Uczai associou a composição à recente derrota de Flávio nas eleições presidenciais, afirmando que “quem foi derrotado no domingo deve também ser derrotado aqui na Câmara dos Deputados”. O líder petista ressaltou que a oposição bolsonarista não deve conseguir avançar com propostas que, segundo ele, foram rejeitadas pelo eleitorado. “A extrema-direita não tem compatibilidade com a nossa pauta e com as diretrizes do governo do presidente Lula”, concluiu.


