Autoridades de saúde da África afirmam que o paradeiro de quase 300 pessoas que testaram positivo para Ebola na República Democrática do Congo é desconhecido.
A falha no rastreamento preocupa porque o surto ocorre em áreas afetadas por conflito armado e deslocamento em massa. Segundo Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, mais de 1 milhão de pessoas vivem em campos onde equipes de saúde não conseguem entrar com segurança.
O país soma 1.155 casos confirmados e 304 mortes, segundo dados do governo congolês citados pela Reuters. A transmissão segue concentrada principalmente na província de Ituri, mas também há registros em outras áreas do leste do país. Uganda confirmou casos ligados ao surto na RDC.
O vírus identificado é da linhagem Bundibugyo, uma forma rara do Ebola. Modelagens publicadas na Lancet Infectious Diseases, com dados da OMS na África, projetam cerca de 8,2 mil casos e 1,4 mil mortes até setembro se a resposta não conseguir frear a transmissão.
Centros de tratamento já operam perto da capacidade máxima. O Africa CDC e a OMS calculam que a resposta precisa de US$ 1,4 bilhão, incluindo ações de saúde e ajuda humanitária; até agora, só parte do dinheiro prometido foi liberada.
A RDC pretende ampliar o rastreamento com 20 mil agentes comunitários, mas a contenção depende do acesso das equipes às áreas isoladas.

