Pouco mais de 15 meses depois da posse, em 1º de janeiro de 2025, Sandro Mabel ainda governa sob um problema central: a imagem de gestor rápido circula melhor nas redes do que na percepção cotidiana do goianiense. E isso pesa porque o próprio prefeito já admite incômodo com a lentidão de parte da máquina.
Mabel não chegou ao Paço como um novato absoluto: é empresário, foi deputado federal por quatro mandatos e venceu a eleição de 2024 com apoio decisivo de Ronaldo Caiado.
Justamente por isso, entrou cercado por uma expectativa alta de entrega, com promessa de gestão empresarial, zeladoria e reorganização de Goiânia. Quando a sensação de melhora não acompanha o discurso, a cobrança vem em dobro.
Os números ajudam a explicar o descompasso. No ranking da AtlasIntel, Mabel apareceu com 38% de aprovação e 47% de desaprovação no fim de 2025; no Veritá, ficou com 34,5% e entre os piores colocados entre prefeitos de capitais.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa do Instituto Opção mostrou 56% avaliando sua gestão como “boa”. O contraste não anula o desgaste: ele mostra que Mabel ainda não consolidou uma leitura estável sobre o próprio governo.
Em Goiânia, a discussão segue aberta porque a percepção sobre coleta, saúde, mobilidade e ritmo de resposta continua fragmentada.
A troca na comunicação confirma que o Paço percebeu o ruído. Mas comunicação corrige tom; não substitui entrega.
Quando Igor Franco e Clécio Alves ocupam o debate com vídeos, vistorias e ataques sobre Comurg, caminhões e patrimônio parado, o desgaste cresce porque a oposição consegue colar na gestão a ideia de desorganização urbana.
Mabel rebate, diz que herdou parte dos problemas e endurece o discurso, mas isso ainda não virou vantagem líquida.
Há risco político bastante evidente: se a prefeitura não conseguir mostrar melhora visível, e não apenas narrada, Goiânia deixa de funcionar como vitrine administrativa do grupo de Caiado e passa a operar como ponto de cobrança contra ele já na largada mais quente de 2026.

