A série “Dom de Iludir”, lançada na Netflix em 28 de outubro, tem atraído a atenção do público por suas semelhanças com um caso de estelionato amplamente noticiado em 2022.
Com um elenco que inclui Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta, a trama gira em torno de uma família rica envolvida em um esquema fraudulento que combina falsas promessas espirituais e disputas familiares, além de obras de arte valiosas.
Em uma entrevista ao Metrópoles durante a estreia da série no Rio de Janeiro, o diretor Mauro Mendonça Filho comentou as semelhanças entre a ficção e o caso da família Boghici, que sofreu um prejuízo estimado em R$ 725 milhões devido a um esquema de fraude que envolveu a própria filha da vítima.
Embora o diretor não tenha confirmado uma inspiração direta no caso, ele reconheceu que as narrativas ficcionais muitas vezes contêm elementos da realidade. “Todas as histórias, de alguma forma, têm uma inspiração, seja direta ou indireta, de alguma coisa da realidade”, afirmou. Mauro também destacou que, ao assumir a direção, recebeu um roteiro já elaborado e decidiu tratar a narrativa como uma obra independente de eventos reais. “Eu entrei nessa história, tinha um roteiro, tinha um texto de uma história, uma ficção, e eu sempre orientava todo mundo: esquece se existe qualquer coisa da realidade”, completou.
O caso real
O escândalo envolve Geneviève Boghici, viúva do marchand e colecionador de arte Jean Boghici. Em 2022, uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro expôs um esquema que teria sido articulado pela filha da vítima, Sabine Boghici, com a colaboração de Rosa Stanesco Nicolau, conhecida como Mãe Valéria de Oxóssi, e outros envolvidos.
As investigações indicaram que o golpe teve início quando Geneviève foi abordada por uma mulher que alegou que sua filha estava em perigo. A partir desse momento, a idosa começou a buscar ajuda espiritual e foi persuadida a realizar pagamentos exorbitantes com o intuito de evitar uma suposta tragédia.
O esquema também envolveu a retirada de joias e obras de arte da residência da vítima, sob a alegação de que esses objetos precisariam passar por uma limpeza espiritual. Segundo o Ministério Público, o prejuízo total superou R$ 725 milhões, incluindo obras significativas como “Sol Poente”, de Tarsila do Amaral, que foi recuperada pela polícia.
Dom de Iludir
Na série, Marieta Severo interpreta Lúcia Rossetti, uma colecionadora de arte que exerce uma proteção excessiva sobre sua filha, Maíra, vivida por Alice Wegmann. Quando a jovem apresenta uma doença misteriosa, Lúcia busca diversas alternativas para ajudá-la, incluindo Irina (Nanda Costta), uma suposta terapeuta espiritual que promete encontrar a cura.
Essa aproximação desencadeia um golpe que ameaça a fortuna da família, revelando segredos e interesses conflitantes entre os Rossetti e a família Petrov, liderada por Bóris, interpretado por José de Abreu.


