O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu uma decisão que proíbe o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter qualquer tipo de contato com o advogado Willer Tomaz, que está sob investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro.
A ordem foi encaminhada à Polícia Federal (PF) e deve ser cumprida imediatamente.
No documento, Moraes determina expressamente a “proibição de Flávio Nantes Bolsonaro manter contato, por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa, com Willer Tomaz”. Além disso, o ministro também mandou cancelar todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, e o incluiu no sistema de alerta migratório da PF, o que o impede de deixar o país. Flávio Bolsonaro recebeu um prazo de 24 horas para entregar os documentos requisitados.
Investigação e histórico de Willer Tomaz
Willer Tomaz é um advogado e empresário próximo a Flávio Bolsonaro. Ambos estão sendo investigados em um inquérito que apura possíveis ligações com lavagem de dinheiro relacionadas a empresas de apostas. O advogado também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Recentemente, Moraes já havia determinado a quebra de sigilos de empresas ligadas a Willer e o bloqueio de bens até o montante de R$ 6 bilhões. De acordo com as investigações, Tomaz deixou o Brasil em agosto, com destino a Miami, nos Estados Unidos, e não há registro de retorno, o que levanta preocupações sobre a possível destruição de provas relacionadas a transações no exterior.
Reação de Flávio Bolsonaro e contexto político
A nova determinação do STF foi comunicada a Flávio Bolsonaro um dia após sua derrota nas eleições presidenciais, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu um quarto mandato ao obter 64,2 milhões de votos (51,79%) contra 59,8 milhões (48,21%) do senador. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio afirmou que foi intimado ao deixar a residência de seu pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Ele declarou: “Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”.
Embora inicialmente tenha anunciado a intenção de pedir a anulação da eleição, Flávio Bolsonaro mudou sua estratégia e, em vez disso, comunicou a aliados que pretende solicitar a cassação da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acusando-os de abuso de poder político e econômico.


