Um estudo irlandês aponta que mulheres com TDAH relataram mais dificuldades em fases marcadas por mudanças hormonais, como ciclo menstrual, pós-parto e menopausa.
A pesquisa, publicada em 28.mai.2026 na revista Archives of Women’s Mental Health, analisou 602 mulheres entre 18 e 69 anos. Do total, 377 disseram ter TDAH e 225 não tinham o transtorno. O levantamento usou questionários validados para sintomas pré-menstruais, depressão pós-parto e queixas da menopausa.
Entre as participantes com TDAH, os pesquisadores encontraram mais irregularidade menstrual, sintomas pré-menstruais mais intensos e maior impacto na rotina. Também houve maior frequência de relatos compatíveis com síndrome pré-menstrual e transtorno disfórico pré-menstrual, quadro mais grave que pode afetar humor, sono, concentração e funcionamento diário.
Na fase perinatal, o grupo com TDAH teve pontuações mais altas em escala usada para rastrear depressão pós-parto, além de mais relatos de gravidez não planejada e complicações ligadas à gestação e ao pós-parto. Na peri e pós-menopausa, os sintomas psicológicos, somáticos e sexuais também foram mais intensos nesse grupo, embora os sintomas vasomotores, como ondas de calor, não tenham diferido de forma significativa.
Os autores alertam que o estudo não prova causa e efeito, porque é transversal e parte dos diagnósticos foi autodeclarada. Ainda assim, os dados indicam que o cuidado com TDAH em mulheres pode precisar incluir perguntas sobre ciclo menstrual, planejamento reprodutivo, pós-parto e menopausa.

