quinta-feira, abril 23, 2026

Troca de partidos em Goiás deixa cicatrizes e antecipa uma guerra dentro das chapas

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A janela partidária terminou, mas o desgaste ficou. Em Goiás, o troca-troca não reorganizou apenas siglas: ele mexeu no valor político de cada vaga, reduziu a fragmentação da Alego e transformou antigas desconfianças em atritos públicos. A própria Justiça Eleitoral fixou a janela entre 5 de março e 3 de abril, período que acelerou a corrida por legendas viáveis para 2026.

O caso mais claro está no PL. A lista oficial da Alego já mostra Amauri Ribeiro e Major Araújo no mesmo partido, mas a convivência começou com ruído. Major disse publicamente que a chegada de Amauri “não agrega” ao grupo e questionou o fato de o colega ainda ser visto como sustentação do governo, embora o PL tente se afirmar como alternativa no Estado. Não é simples birra: é disputa por coerência de discurso, por espaço de chapa e por quem realmente veste a camisa da oposição.

Esse mal-estar tem uma base objetiva. O sistema proporcional, somado ao fim das coligações e à dificuldade de montar listas fortes, fez crescer o medo do canibalismo eleitoral. Em Goiás, partidos e federações ainda correm para fechar chapas competitivas, enquanto aliados de Daniel Vilela cobram definição e reclamam da insegurança provocada por nomes com mandato entrando de última hora. Quando um deputado chega, outro imediatamente faz a conta de quantos votos pode perder dentro da própria casa.

No PSB, a entrada tardia de Rubens Marques escancarou o mesmo problema: Karlos Cabral acusou atropelo interno, falou em “porta dos fundos” e admitiu, na prática, que a chapa pode implodir com a mudança. O recado da janela foi duro e claro: em 2026, muita mágoa em Goiás não virá do adversário de fora, mas do aliado que entrou por último e passou a valer mais no quociente eleitoral.

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