A votação secreta para o STF virou munição na disputa política em Goiás.
O senador Vanderlan Cardoso gravou vídeo para rebater críticas de que teria votado a favor de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo. O alvo direto foi o deputado estadual Amauri Ribeiro, do PL, que criticou senadores goianos em fala na Assembleia Legislativa. Amauri aparece oficialmente como deputado em exercício pelo PL na Alego.
O ponto central da controvérsia está no próprio rito da votação. O Senado registrou que a indicação de Messias foi rejeitada por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, mas o painel oficial mostra apenas quem votou, não o conteúdo do voto de cada senador. Vanderlan e Jorge Kajuru aparecem como votantes; Wilder Morais consta como não presente.
Na prática, isso impede confirmar publicamente se Vanderlan ou Kajuru votaram a favor ou contra Messias. A acusação, portanto, entra no campo da disputa política, não da prova documental disponível no painel do Senado.
A reação de Vanderlan tenta conter desgaste com o eleitorado de direita em Goiás, especialmente depois de a rejeição de Messias ter sido tratada pela oposição como uma das votações mais importantes do Senado nos últimos anos. O episódio também ampliou cobranças sobre a bancada goiana, com críticas concentradas principalmente na ausência de Wilder.
Agora, a pressão se desloca para o terreno público: quem acusa precisa apresentar prova, e quem se defende tenta evitar que o voto secreto vire condenação política por dedução.

