A suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias pode produzir um efeito inesperado: dar ao pré-candidato liberdade para fechar alianças estaduais sem submeter cada conflito ao aval de Jair Bolsonaro.
Flávio classificou a medida como desproporcional, e sua defesa anunciou que tentará revertê-la.
Até agora, o ex-presidente funcionava como instância final nas disputas entre pré-candidatos, dirigentes do PL e aliados regionais. Interlocutores relatam que Flávio consultava o pai sobre quase tudo.
Sem acesso direto até depois do primeiro turno, o senador ganha velocidade para escolher palanques, distribuir apoios e encerrar impasses que travavam a campanha.
O ganho vem acompanhado de um risco. Jair Bolsonaro também servia como fiador das decisões difíceis.
Ao assumir sozinho as escolhas, Flávio deixa de poder atribuir ao pai o desgaste causado por candidaturas preteridas e acordos locais. Quem perder espaço cobrará diretamente do presidenciável.
A carta divulgada antes da decisão ajuda Flávio: nela, Jair o chamou de porta-voz e pediu unidade em torno da candidatura do filho. Michelle, porém, mantém contato direto com o marido, o que preserva uma fonte paralela de influência dentro da família.
A autonomia chega quando a Nexus/BTG aponta empate técnico entre Flávio e Lula, por 44% a 47% em eventual segundo turno. O teste será fechar palanques sem romper aliados antes do início oficial da campanha.

