Advogado próximo a Flávio Bolsonaro movimentou R$ 130 milhões em três meses, aponta PF

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A Polícia Federal (PF) está conduzindo um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de dívidas relacionadas ao advogado e empresário Willer Tomaz.

A investigação revelou que, entre março e maio do ano passado, Willer movimentou cerca de R$ 130 milhões em uma de suas contas bancárias, levantando indícios de irregularidades, uma vez que a movimentação financeira aparenta estar em desacordo com as atividades econômicas conhecidas do advogado.

De acordo com trechos do relatório obtidos pela CNN, a magnitude da quantia e o curto período de tempo em que foi movimentada despertaram a atenção dos investigadores, que afirmaram que isso reforça a necessidade de uma apuração mais aprofundada sobre a origem dos recursos. O relatório ressalta que a estrutura empresarial de Willer parece incompatível com o volume financeiro registrado.

Relação com Flávio Bolsonaro e investigações adicionais

Willer Tomaz é amigo do candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ). Durante as investigações, a PF apreendeu o celular de Willer, que continha fotos dele com Flávio, além de referências a encontros e eventos. O advogado também é parcialmente proprietário da aeronave utilizada por Flávio em uma viagem em janeiro de 2025, a qual era gerida por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Além das movimentações financeiras, a PF investiga a possível atuação de Willer em relação a indícios de favorecimento a empresas de apostas esportivas e fraudes em licitações da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro). As apurações tiveram início com informações coletadas durante a operação Sem Desconto, que investigou irregularidades no INSS e incluiu uma busca e apreensão na nuvem de dados de Willer em agosto.

Controvérsias e respostas

Durante a investigação, surgiram indícios de que Flávio Bolsonaro teria compartilhado uma conta bancária com Willer, o que foi corroborado por e-mails entre uma instituição financeira e o escritório do advogado. No entanto, a assessoria de Flávio negou a existência dessa conta conjunta, enquanto Willer Tomaz também emitiu uma nota afirmando que essa informação é falsa.

A PF também constatou uma movimentação significativa de Willer em plataformas de apostas, que alcançou o montante de R$ 35 milhões, além de saques realizados em casas de apostas no exterior. A investigação ainda analisa a relação do advogado com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), especialmente em relação a um pregão da Loterj vencido pela empresa Pixs.

Em nota divulgada no último domingo (18), Willer expressou estranheza sobre o vazamento das informações da investigação, sugerindo que isso seria uma manobra para influenciar o debate eleitoral. Ele afirmou que não houve relação com empresas de apostas e que não existem movimentações financeiras irregulares. O advogado criticou a quebra de sigilo telemático, considerando-a uma tentativa de criar escândalos políticos sem fundamento.

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