A recente divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a agosto, que apresentou uma queda de 0,32%, trouxe novas expectativas sobre a taxa básica de juros, a Selic. Esse resultado, abaixo das previsões do mercado, fortalece a possibilidade de um novo corte na taxa durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, agendada para os dias 15 e 16 de setembro.
Após a publicação do IPCA, economistas começaram a avaliar as implicações desse dado. O recuo da inflação foi maior do que o esperado, que era de 0,29%. Para Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, a inflação de serviços ainda não demonstra sinais claros de desaceleração, o que pode limitar a interpretação do resultado de agosto como um indicativo definitivo de desinflação estrutural. Ele observa, no entanto, que a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE, indica que esse setor já se encontra estagnado, o que pode ter um impacto positivo nas leituras futuras.
Componentes da queda do IPCA
A diminuição da inflação foi influenciada por fatores como a redução nos preços de energia elétrica, devido a um bônus de Itaipu, passagens aéreas e combustíveis, que são historicamente voláteis. Saadia destaca que o Brasil está iniciando um ciclo de corte da Selic em um cenário desafiador, com aumento das taxas de juros globais e incertezas fiscais, além do risco associado ao fenômeno El Niño ao longo do ano.
Vitor Kayo, economista da Nomad, afirma que o resultado do IPCA se alinha com as expectativas do mercado e não deve alterar as projeções para a decisão do Copom. A maioria dos analistas ainda prevê um corte de 0,25 pontos percentuais na Selic, reduzindo-a para 13,75%. Ele reforça que o dado corrobora a tendência de desinflação e é mais um indicativo de que o Banco Central já estava prevendo uma desaceleração na atividade econômica ao longo do ano.
Expectativas para o futuro
Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras (Cefeb/Fipe), comenta que a inflação de agosto sugere um arrefecimento da pressão inflacionária, o que pode resultar em uma queda nos juros futuros mais curtos. Embora o dado aumente a pressão para que o Copom continue a reduzir a taxa de juros, ele observa que a inflação acumulada em 12 meses ainda se mantém dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida.

