Campanha mobiliza candidatos para defesa do Cerrado nas eleições

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Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, convocando candidatos às eleições deste ano a se engajarem na proteção do bioma do Cerrado e dos povos que nele habitam. Uma carta-compromisso está disponível para assinaturas no site votepelocerrado.org.br. Nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, as entidades envolvidas na iniciativa ressaltam a importância desse bioma, que abriga as nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do Brasil. Contudo, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado foi destruída, resultando em uma redução média de 27% na vazão dos rios.

Propostas da campanha

A campanha estabelece um conjunto de oito propostas que os candidatos devem considerar:

  • Proteger o Cerrado e garantir seu reconhecimento como patrimônio nacional;
  • Proteger as águas como direito fundamental;
  • Garantir terra, território e autodeterminação dos povos;
  • Combater a grilagem e a violência no campo;
  • Enfrentar os impactos dos grandes empreendimentos e garantir a consulta livre, prévia e informada;
  • Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar;
  • Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar;
  • Garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

A Rede Cerrado, que congrega mais de 500 organizações, e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, com a participação de mais de 60 entidades, lideram essa mobilização. O grupo inclui povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos socioambientais e organizações dedicadas à conservação da natureza.

Urgência na escolha de representantes

Durante o lançamento virtual da campanha, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano, destacou a necessidade de eleger representantes comprometidos com pautas ambientais e com os direitos dos povos tradicionais. Ele enfatizou que a escolha dos parlamentares pode influenciar diretamente a proteção dos biomas. “Se não soubermos votar em quem vai realizar a regularização fundiária e a demarcação dos nossos territórios, estaremos entregando nossas terras a outros interesses. Temos visto inúmeras pressões contrárias, inclusive para rever unidades de conservação no país,” afirmou.

Caetano também ressaltou que a proteção do Cerrado deve ser uma preocupação nacional, uma vez que a água que abastece as capitais brasileiras provém desse bioma. “É fundamental reconhecer a importância do Cerrado, especialmente em um momento de emergência climática,” concluiu. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, alertou para a necessidade de um voto consciente nas eleições deste ano, dado o contexto de retrocessos nas legislações ambientais. “É crucial escolher políticos que se importem com os biomas e com a questão climática. Em tempos de crise climática e com a iminência do El Niño, o negacionismo é uma posição política que só agrava a vida dos brasileiros,” destacou.

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