A inflação caiu com força na Argentina, mas milhões de famílias agora enfrentam outro problema: dívidas cada vez mais difíceis de pagar.
Segundo levantamento publicado pelo Financial Times, cerca de 5,8 milhões de argentinos estão atrasados com algum tipo de crédito, quase um terço dos tomadores. Juros elevados, renda pressionada e maior acesso a empréstimos ampliaram o peso das parcelas no orçamento doméstico.
O governo de Javier Milei conseguiu reduzir a inflação anual, que chegou a 289% no início de 2024, para patamares muito menores. Em julho de 2026, a inflação mensal ficou em 2,1%. A pobreza também recuou para 30% no primeiro trimestre, segundo dados citados pelo Banco Central argentino.
A melhora dos indicadores, porém, ainda convive com fragilidade no mercado de trabalho. O emprego formal privado caiu 4,1% em um ano, enquanto o crescimento das ocupações ficou concentrado no trabalho informal e por conta própria.
Para a parcela mais pobre da população, a estabilização tem um custo concreto: menos subsídios, crédito caro e pouca margem para absorver novos aumentos de despesas.
O governo sustenta que esse período é necessário para consolidar o ajuste e recuperar a economia, enquanto opositores afirmam que parte das famílias passou a usar dívida para fechar o mês.
A duração desse desgaste dependerá principalmente de três fatores: recuperação do emprego formal, aumento real da renda e redução do custo do crédito.
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