Usada há milênios contra dor e febre, a aspirina voltou ao centro das pesquisas por um motivo maior: estudos recentes indicam que ela pode ajudar a frear a disseminação de alguns tumores e, em grupos específicos, reduzir o risco de câncer colorretal.
O detalhe decisivo é que isso ainda não autoriza uso por conta própria nem transformou o remédio em prevenção geral.
O avanço mais citado saiu em março de 2025, em estudo publicado na Nature.
Os pesquisadores descreveram um mecanismo pelo qual a aspirina bloqueia o tromboxano A2, uma substância das plaquetas, e com isso libera as células T — peças do sistema imune — para agir melhor contra metástases, quando o câncer se espalha pelo corpo.
O achado ajuda a explicar por que o remédio já aparecia associado, em alguns estudos, a menor disseminação de certos tumores.
Na prática, a evidência mais forte hoje está em grupos de alto risco.
No Reino Unido, o NICE recomenda considerar aspirina diária por mais de dois anos para pessoas com síndrome de Lynch, condição genética ligada a maior risco de câncer colorretal.
Em 2025, o estudo CaPP3 informou que doses baixas, de 75 a 100 mg por dia, funcionaram tão bem quanto doses maiores para cortar o risco de câncer de intestino nesse grupo.
Ao mesmo tempo, a cautela continua. Nos Estados Unidos, a USPSTF afirma que a evidência ainda é incerta para dizer que a aspirina reduz câncer colorretal na população geral, e recomenda não iniciar o uso preventivo em adultos com 60 anos ou mais.
O NCI também destaca que, no estudo ASPREE, idosos saudáveis que começaram a tomar baixa dose tiveram piora no balanço entre benefício e risco, inclusive com sinal de mais câncer avançado e mais mortes por câncer.
O próximo passo agora é definir exatamente quem pode se beneficiar sem pagar a conta em sangramentos e outras complicações.

