O número ajuda a medir uma rotina que muita gente conhece de perto: no Brasil, milhões de mulheres sustentam, educam e organizam a vida dos filhos sem dividir a casa com um cônjuge.
Levantamento da FGV/IBRE, com base na PNAD Contínua, identificou 11,3 milhões de domicílios chefiados por mães solo em 2022. Em dez anos, esse total cresceu 17,8%, com alta de 1,7 milhão de lares nessa condição.
A conta pesa cedo. Segundo o estudo, 72,4% dessas mães viviam apenas com os filhos, sem parentes ou agregados no mesmo domicílio.
Quase 45% das ocupadas estavam na informalidade, e a renda média ficava abaixo da observada entre homens casados com filhos e mulheres casadas com filhos.
O dado tira o tema do discurso genérico. Quando creche falta, escola fecha cedo, pensão atrasa ou trabalho informal vira única saída, a sobrecarga chega ao orçamento da casa.
A resposta prática passa por creche, renda, cobrança efetiva de pensão e acesso real ao mercado de trabalho.

