Os autores estão mais jovens: já há registros envolvendo meninos de 12 e 13 anos.
Um levantamento da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, obtido com exclusividade pelo Globo Repórter, aponta que os casos praticados por adolescentes passaram de 10, em 2019, para 72, em 2025 — crescimento de cerca de 600%.
Os dados foram apresentados no programa exibido na sexta-feira, 10 de julho.
Segundo a juíza Vanessa Cavalieri, antes predominavam adolescentes de 16 e 17 anos, mas a Justiça agora recebe ocorrências envolvendo crianças no início da adolescência.
A reportagem investigou a influência da “machosfera”, conjunto de comunidades digitais que difunde conteúdos de superioridade masculina, submissão feminina e hostilidade contra mulheres.
Especialistas ouvidos pelo programa afirmam que algoritmos podem ampliar o alcance dessas publicações, mas o levantamento não atribui o aumento a uma causa isolada.
A Justiça do Rio passou a aplicar com mais frequência medidas protetivas da Lei Maria da Penha nesses casos, com proibição de contato, restrição de aproximação e, quando necessário, apreensão de celulares e computadores.

